Work, work, work, work, work, work
No post passado,
eu falei dos meus trabalhos aqui no Canadá.
Como todo o
imigrante, salvo raras exceções, a gente começa com os trabalhos pouco remunerados.
Todo mundo tem um primo do tio da madrinha de um amigo que foi pra gringa e
trabalhou no Mc Donald’s, trabalhou em estação de esqui (não... pera... esse
foi o meu digníssimo!) ou foi baby sitter, hoje conhecida pelo chique nome de
au pair! Aqui em poucas linhas, a minha experiencia...
Não vou citar os nomes dos locais por motivos bem óbvios de vai que dá treta. Sei que aqui não tem um Vagas Arrombadas, faz falta até...teriam material de sobra. Contudo, melhor não.
Não vou citar os nomes dos locais por motivos bem óbvios de vai que dá treta. Sei que aqui não tem um Vagas Arrombadas, faz falta até...teriam material de sobra. Contudo, melhor não.
O fast food
disfarçado.
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| Uma verdade |
Quem passa por aquele bendito lugar, acha que é um café, super bacaninha, tranquilão e que serve umas saladas maravilhosas, feitinhas na hora. Foi esse o meu primeiro emprego no Canadá. Eu servia mesas, limpava mesas, limpava banheiros, tirava o lixo e, no final do dia, ainda tinha que por pra fora o povo que não sabe ver hora.
Lá, entendi que não seria reconhecida se fizesse um bom trabalho, como dizia o mote da empresa. Entendi isso quando um supervisor de turno pediu que limpasse novamente o banheiro dos clientes pois o mesmo estava seco. Desse dia em diante, passei a apenas ensopar o banheiro com o produto de limpeza, deixando molhadão...e secretamente torcendo pra ele escorregar!
Saí dalí para o primeiro bufê.
O bufê de elite.
Pagava melhor, conseguia conciliar com o horário do college, era na minha área. O chef executivo é um amor de pessoa, fala tranquila, um anjo na Terra! Porém, ele não seria o meu chef imediato. Eu trabalharia com mais 3 mulheres, duas senhoras e uma moça. A senhora mais velha era unha e carne com o dono da empresa. Ela fazia questão de deixar isso bem claro. Aí que meu radar já apitou. O comportamento dela começou a mudar conforme os dias foram passando. Talvez o fato de eu questionar coisas como porque iriam doces com amendoim se o pedido era explícito NUT-FREE e ela responder que alergia é invenção de médico. Até o dia em que ela me empurrou e eu ameacei chamar a polícia. Com o meu c* na mão, mas não deixei passar.
Panos quentes foram postos e eu saí dali, com compensação.
Pagava melhor, conseguia conciliar com o horário do college, era na minha área. O chef executivo é um amor de pessoa, fala tranquila, um anjo na Terra! Porém, ele não seria o meu chef imediato. Eu trabalharia com mais 3 mulheres, duas senhoras e uma moça. A senhora mais velha era unha e carne com o dono da empresa. Ela fazia questão de deixar isso bem claro. Aí que meu radar já apitou. O comportamento dela começou a mudar conforme os dias foram passando. Talvez o fato de eu questionar coisas como porque iriam doces com amendoim se o pedido era explícito NUT-FREE e ela responder que alergia é invenção de médico. Até o dia em que ela me empurrou e eu ameacei chamar a polícia. Com o meu c* na mão, mas não deixei passar.
Panos quentes foram postos e eu saí dali, com compensação.
Pertence ou
não pertence.
Fiquei uns meses sem trabalho até aparecer essa oportunidade. Restaurante descolado, orgânico, contatos com produtor local, comunidade... Difícil acesso, sim... mas tem van que leva da estação de metro até a porta do restaurante.
Chef jovem, descolada... aliás... todo mundo ali era descolado, desconstruído, vegano, vegetariano, preocupado com causas sociais, tudo muito bonito...baita senso de pertencimento.
Eu tinha que estar lá as 7h30, inclusive no domingo... não tinha van, e eu tinha que dar a volta em meia Toronto pra chegar.
“ Ah... Mari... pq vc ficou nesse lugar?”
Pq eu tinha que fazer meu estágio curricular. Estágio curricular aqui não pode ser remunerado. Então eu trabalhava 40h, mas recebia só por 20h. Eu recebia elogios, todo mundo me tratava bem, o único problema era mesmo o acesso.
Finado o período de estágio, fui mandada embora com a justificativa de que eu morava muito longe.
Fiquei uns meses sem trabalho até aparecer essa oportunidade. Restaurante descolado, orgânico, contatos com produtor local, comunidade... Difícil acesso, sim... mas tem van que leva da estação de metro até a porta do restaurante.
Chef jovem, descolada... aliás... todo mundo ali era descolado, desconstruído, vegano, vegetariano, preocupado com causas sociais, tudo muito bonito...baita senso de pertencimento.
Eu tinha que estar lá as 7h30, inclusive no domingo... não tinha van, e eu tinha que dar a volta em meia Toronto pra chegar.
“ Ah... Mari... pq vc ficou nesse lugar?”
Pq eu tinha que fazer meu estágio curricular. Estágio curricular aqui não pode ser remunerado. Então eu trabalhava 40h, mas recebia só por 20h. Eu recebia elogios, todo mundo me tratava bem, o único problema era mesmo o acesso.
Finado o período de estágio, fui mandada embora com a justificativa de que eu morava muito longe.
Flãngo sem
catupily
Sabe quando
vc está topando quase qualquer parada? Eu ia a entrevistas, comia o site de
emprego com farinha, estava bem triste-deprimida-desgostosa da vida quando uma
anja apareceu na minha vida. Apareceu em uma postagem do Facebook, com uma vaga
nesse restaurante, curiosamente do lado do primeiro em que eu trabalhei. O Jesus!
Olha um ciclo se fechando! Entrei em contato com ela, que me passou o contato
da gerente. Mandei email, com currículo, horários e tudo que tinha direito.
Acabou que quem mesmo me contratou foi essa anja. “Aparece aí pra fazer um
treino!” E assim fui ficando, até ir pro Brasil. Quando voltei, já tinha outro
engatilhado.
Era um restaurante praticamente gerido por jovens... meu turno começava por volta das 10h e o rapaz que tinha a chave, chegava as vezes as 10h, 11h... e tava tudo bem...de boas! A gente dava boas risadas... em português!
Era um restaurante praticamente gerido por jovens... meu turno começava por volta das 10h e o rapaz que tinha a chave, chegava as vezes as 10h, 11h... e tava tudo bem...de boas! A gente dava boas risadas... em português!
Houve também as entrevistas com propostas supimpa para um salário mínimo.
Vem de
bike, ué!
Fui pra entrevista numa padaria, curti a vibe da dona, tiazona simpaticona e tal... até a hora em que ela começou: “Você vai chegar por volta das 4a.m., abrir a loja, pegar um café e começar a assar os pães...” Quando ela disse isso, falei que não tinha como me comprometer, pois dependo do transporte público. Aí ela saiu com uma jóia: “Mas vc pode vir de bike. Tivemos um rapaz que vinha, inclusive no inverno...”
Fui pra entrevista numa padaria, curti a vibe da dona, tiazona simpaticona e tal... até a hora em que ela começou: “Você vai chegar por volta das 4a.m., abrir a loja, pegar um café e começar a assar os pães...” Quando ela disse isso, falei que não tinha como me comprometer, pois dependo do transporte público. Aí ela saiu com uma jóia: “Mas vc pode vir de bike. Tivemos um rapaz que vinha, inclusive no inverno...”
Clube dos
solteiros.
Lembro também de um chef, de um restaurante bem chique daqui de Toronto, que perguntou durante a entrevista meu estado civil, algo considerado extremamente invasivo. Respondi que sim, que eu era casada, mas que a minha vida pessoal era um assunto meu. Ele pediu que eu não me ofendesse, mas que ele já havia tido problemas com pessoas casadas no restaurante dele e que vida de chef e casamento não combinam. Na mesma hora, lembrei de vários chefs que eram casados, agradeci pelo tempo dele e disse que aquele restaurante não era pra mim.
Lembro também de um chef, de um restaurante bem chique daqui de Toronto, que perguntou durante a entrevista meu estado civil, algo considerado extremamente invasivo. Respondi que sim, que eu era casada, mas que a minha vida pessoal era um assunto meu. Ele pediu que eu não me ofendesse, mas que ele já havia tido problemas com pessoas casadas no restaurante dele e que vida de chef e casamento não combinam. Na mesma hora, lembrei de vários chefs que eram casados, agradeci pelo tempo dele e disse que aquele restaurante não era pra mim.
Folga zero
Teve também a empresa de macarons. Sim, aquele bendito biscoito que é cheio de firula pra fazer, caro, que todo mundo acha lindo e paga caro.
Era nada mais que uma sala com 2 fornos, 2 batedeiras e duas mesas. A dona, tinha uma ajudante e queria mais uma. Perguntou tudo que eu havia feito no college, perguntou sobre a minha vida aqui no Canadá, se eu tinha intensão de ficar aqui, se eu tinha portfólio, se eu sabia diferenciar cores e tal até a hora em que eu perguntei sobre horário e folga. “ É das 7h até terminar os pedidos do dia... acredito que até umas 17h, 18h... dá para fazer uma pausa para vc tomar um café, um suco... e só fechamos uma vez no ano, 25 de dezembro. Folga... bem, temos que ver..., mas pode ser um domingo a cada 15 dias.” Tô pra mandar meu portfólio até hoje...
Teve também a empresa de macarons. Sim, aquele bendito biscoito que é cheio de firula pra fazer, caro, que todo mundo acha lindo e paga caro.
Era nada mais que uma sala com 2 fornos, 2 batedeiras e duas mesas. A dona, tinha uma ajudante e queria mais uma. Perguntou tudo que eu havia feito no college, perguntou sobre a minha vida aqui no Canadá, se eu tinha intensão de ficar aqui, se eu tinha portfólio, se eu sabia diferenciar cores e tal até a hora em que eu perguntei sobre horário e folga. “ É das 7h até terminar os pedidos do dia... acredito que até umas 17h, 18h... dá para fazer uma pausa para vc tomar um café, um suco... e só fechamos uma vez no ano, 25 de dezembro. Folga... bem, temos que ver..., mas pode ser um domingo a cada 15 dias.” Tô pra mandar meu portfólio até hoje...
Segue o baile.


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