Primeiros e Últimos.

Amanhecer do último dia em que dei aula.

Eis que a cartinha do College chegou no finzinho de maio. Lembro que cheguei em casa e mamãe me disse que havia chegado uma correspondência para mim. Eu, crente que era a fatura do meu cartão, nem dei muita bola. Tomei banho, comi, bati um papo com mamãe, brinquei com a Malou, minha cachorra e fui lá ver o que era. Dei gritinhos, pulinhos, abracei mamãe! Felicidade total! Liguei para o Tiago para dar a notícia. Ele também comemorou e ficou feliz pois eu ficaria mais alegre.
Maio de 2016 começou bem tenso, eu andava com um “resfriado”, tossindo muito desde o fim de abril, uma tosse forte e seca. Fui duas vezes ao hospital, sendo tratada como alergia. Lembro que acordei para trabalhar com uma falta de ar bastante incômoda que acabou me levando ao hospital. Foram 7 dias internada, sendo 3 no CTI com suspeita de H1N1. No final, eu tive uma pneumonia causada por um fungo. Hoje, estou de boas.
Depois da chegada dessa cartinha, vi que o projeto estava se concretizando. Dalí em diante eu comecei a sentir uma coisa ... eu tinha uma necessidade de aproveitar tudo o que poderia aproveitar desta minha vida, vivida no Rio. Eu tinha um ano e pouco para formar memórias, para estar com todo mundo que eu amo enquanto tocava o projeto. O fato de não saber quando estaria com eles novamente foi o que pesou.
E assim foi. Fomos muito à praia, estive com as minhas amigas de toda a vida, com a galera da Enfermagem e da Física, curti muito a nossa família, principalmente nossos sobrinhos, casamos e comemoramos muito esse momento, curti a minha mãe e a minha Malou, fui pra noitadas bagaceiras, jogo de futebol, festa a fantasia, curti até os conselhos de classe! Aproveitei cada minuto com os meus alunos e meus colegas de escola. Eu tive tanto apoio e tanto carinho, inclusive de gente com quem eu tinha pouco contato.  Lógico que tinha um ou outro que dizia que é loucura largar emprego público para ir numa aventura assim, mas para cada um que falava isso, havia mil dando todo apoio. Abracei quase todo mundo que amo antes de vir. E cada um sabe o quanto eu amo.
Por outro lado, tudo era um pouco novidade aqui. Primeira vez alugando casa, montando casa, tendo colegas de todo o canto do mundo, indo ao médico, indo ao banco, arranjando trabalho, passando por greve, vivendo a neve, vendo briga, vendo bêbado, comendo e bebendo um milhão de coisas novas,  encontrando conforto e ombro amigo um no outro, estreitando laços com os amigos e vendo novas vidas chegando. Recebendo a família, aproveitando cada minuto do lado deles e chorando horrores quando eles vão embora.

Enquanto escrevo, dá um nó no peito e os olhos enchem de lágrimas.
Em meio as lágrimas e sorrisos, segue o baile!


Comentários

  1. Enquanto eu leio,dá um nó na garganta,os olhos manejam,o peito aperta de saudade.
    Eita saudade danada!!

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